Os por quês, porquês e porques

Faz tempo Little-girl-baking-an-apple-pieque eu queria ter um blog. Já tive um mil anos atrás e falava de tudo um pouco, mas neste aqui queria falar só sobre o mundo da gastronomia e tudo que o envolve. Afinal, minha vida gira em torno de comida, podemos dizer assim 🙂

Falando nisso, sempre me perguntam de onde vem meu amor pela culinária. Perguntam se foi minha mãe que me ensinou a cozinhar e por ai vai. Bom, eu não tenho aquela tradição familiar de “cresci-vendo-minha-avó-cozinhando” não.


Minha mãe sabia cozinhar muito bem, mas nunca gostou, talvez porque quando solteira era obrigada a cozinhar na casa dos meus avós. Então, depois que pôde escolher passou a só cozinhar em ocasiões especiais, como natal, aniversário, páscoa e nos domingos da minha infância, já que o nosso café era quase um brunch e ela fazia seus famosos bifes de domingo e ovos mexidos com presunto e queijo (claro que nessas ocasiões, eu sempre prestava atenção e aprendia muita coisa com ela)

Minha avó materna, o máximo que vi ela fazer na cozinha foi cortar pão dormido bem fininho pra fazer torrada. Minha avó paterna cozinhava bem, aquelas comidas pesadas, tipo munguzá com feijão de corda, bolo de batata doce, galinha à cabidela, guisado de carneiro, mas eu a via muito pouco, ela era meio nômade e morava a maior parte do tempo longe daqui.

Então, quem me ensinou a cozinhar?
Não sei.
As memórias mais antigas que eu tenho envolvendo o assunto são: assistir a Cozinha Maravilhosa da Ofélia e colecionar os livros da União, que minha mãe trocava por rótulos dos produtos no supermercado. E aí, sempre que tinha alguém na cozinha, eu aproveitava pra me aventurar. E assim, assistindo a Ofélia e lendo os livros de receita, fiz minha primeira baba de moça, minha primeira lata de leite condensado cozida na panela de pressão e meus primeiros biscoitos amanteigados. Até hoje lembro de como ficaram duros os primeiros que fiz. Mas comi e levei de presente pra minha avó, com maior orgulho.
Com 8 anos já fazia macarronada, fazia bife, fazia bolo pros aniversários das minhas bonecas, e fui crescendo assim, curiosa e querendo sempre cozinhar coisas novas. Lia tudo que podia, via receitas na tv – tinha que me virar né, não tinha internet naquele tempo – prestava atenção quando alguma tia ou prima mais velha cozinhava alguma coisa, pedia receita das coisas que comia…e muito cedo, já tinha meu próprio caderno de receitas – que guardo até hoje. Junto com um da minha mãe, dos anos 70, de antes de eu nascer, da época que eles moravam no México e minha mãe arrasava fazendo as melhores comidas nos encontros de brasileiros por lá ou mesmo mostrando a cozinha brasileira/cearense pros novos amigos mexicanos.
Hoje, continuo curiosa. Assisto todos os programas de receita aceitáveis que tem na tv, no youtube, vejo programas sobre gastronomia de outros lugares do mundo, tô sempre lendo e querendo aprender mais e mais. E com certeza não sabia que o amor ia virar profissão. E talvez a Ofélia pela manhã nos meus tempos de criança, seja o meu referencial de avó que cozinhava divinamente bem e fez vários netos virarem chef de cozinha por causa disso. Aquela avó italiana que ensinou a fazer massas, a avó grega que ensinou a fazer moussaka, e por aí vai.
Nunca, nunca mesmo, vou esquecer o dia que fiz minha primeira torta de limão. Pedi uma forma emprestada a uma vizinha, corri pra casa, fiz tudo direitinho e depois de tudo pronto, quando vi aquela torta linda com o merengue douradinho saindo do forno….ai que emoção!
Ah, receita da Ofélia, claro!

3 comentários

  1. Aí que lindo esse texto. Sabe que ainda não tinha lido, né?! Rsrs. Então muito bom crescer fazendo parte dessa trajetória toda. Tem coisas que realmente eu não sabia e fiquei muito, mas muito feliz em saber. Fico mais feliz ainda de poder sempre experimentar as suas iguarias. Saiba que entrei aqui, pra ver uma receita gostosas. Das que você sempre faz! Hoje deu vontade de comer uma coisa bem boa, como não estou perto pra te ligar e pedir pra fazer. To atrás aqui. Dai lhe esse texto maravilhoso. Você como sempre, escrevendo perfeitamente bem. Acho que você deveria escrever um livro também, hahaha. De culinária, pq não né? Cheirinhos. E vai ser sucesso esse blog. Inte!

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